Sempre tenho essa impressão angustiante ao conversar com alguém sobre o que eu quero da minha vida. Sempre, sempre, quase sempre, a pessoa que está ouvindo dá a entender dois tipos de reações adversas.
Uma delas é a de que eu estou me iludindo. O olhar de quem não acredita muito em você, que acha que daqui dois segundos vai mudar de opinião igual a qualquer adolescente normal. Eu sinto aquela vibe de quando a pessoa está prestes a desviar o olhar de mim e fitar o céu como quem para de prestar atenção.
Aí, surge a segunda reação. Aquela do olhar voltando pra minha face que não encara mais a pessoa, que agora está perdido em algum ponto, aquele olhar que não está olhando para fora, mas sim para dentro. Surge aí a vontade do outro de tornar o que eu quero real. Porque não soa mais tão absurdo, tão conto de fadas.
Tenho esse jeito de falar que meio deslumbra, meio desacredita, meio que deixa as pessoas estupefatas e desiludidas com suas próprias vidas. E com jeito eu digo a maneira de falar com tanta paixão daquilo que me consome o espírito irrequieto do menino que sabe o que quer. Porque quem me conhece sabe que eu me atrapalho com as palavras, falo tão rápido que perco o foco, mudo de assunto e, de repente, volto a complementar aquilo que ficou subentendido.
Quase ninguém consegue entender que eu gosto de estar sozinho. Que com boa música eu me sinto bem. Que a presença das outras pessoas por muito tempo acaba me desgastando. Que eu aprendi a me sentir bem mesmo estando sozinho e que nem por isso deixo de querer alguém por perto, de vez em quando.
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